quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Fernando Valle

26 de Novembro de 2009



Faz hoje cinco anos que este “cidadão exemplar” nos deixou.
O seu combate foi sempre pela Liberdade,Igualdade e Fraternidade.
Foi no contacto diário com os seus conterrâneos que defendeu estas causas.Por isso foi prejudicado na sua vida profissional e perseguido pela PIDE.
No entanto,apesar do país viver sufocado pelo medo que a ditadura impunha,nunca faltou ao Dr. Fernando a solidariedade corajosa do povo.Ele mesmo o reconheceu quando afirmava:”o apoio do povo é que sempre me valeu”.
Foi assim em 1962 quando,preso no Aljube,é ajudado por um patrício que aí presta serviço como barbeiro:”sou de Alvares,conheço muita gente de Arganil e as pessoas de lá querem saber se estava aqui preso.Precisa de alguma coisa de lá de fora?”.
É também por essa altura,estando ainda preso, que os pobres de Coja lhe manifestam por escrito a sua solidariedade.
Quando,em 1971,lhe fecham o consultório em Arganil, o povo anónimo vai buscá-lo a Coja,em ombros,nas barbas da PIDE.
Ainda nesse ano ,músicos da Filarmónica Arganilense arrombam as portas da Casa do Povo para tomar os instrumentos com que festejaram a sua recepção;tendo sido presos,logo Fernando Valle corre à PIDE em Coimbra:”se tem de se prender alguém,não são os músicos,é a mim”.
No 1º de Maio de 1974,conquistada a Liberdade,poderia dizer aos seus conterrâneos da varanda dos Paços do Concelho:
“Eu espero que voçês,nesta Câmara Municipal que neste momento nós representamos,sintam que esta é a vossa casa,sintam que têm o dever imperioso de vir aqui dizer o que pensam e a maneira como hão-de resolver-se os problemas”.
É este o Homem que sempre esteve com o seu povo;por isso nunca será esquecido e permanecerá como exemplo.
NB-Citações e outras referências foram extraídas da excelente biografia Fernando Valle-Um Aristocrata de Esquerda do jornalista Fernando Madaíl

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

José Mattoso em Coja

19 de Novembro de 2009


A quando da inauguração da sede da Junta de Freguesia de Coja,em 21 de Novembro de 1993,José Mattoso,oriundo do Pisão, proferiu uma brilhante conferência,em boa hora editada pela Junta, com a colaboração da Editorial Moura Pinto.Recomendo a leitura ou releitura (encontra-se disponível na Biblioteca Alberto Martins de Carvalho de Coja).
Decorridos estes anos, é notável a sua oportunidade.Em 1993 disse José Mattoso:
“Ao contrário do que acontecia no tempo dos nossos avós, dificilmente se acredita que o dia de amanhã seja muito melhor que o de ontem.Esperam-se no futuro restrições sérias às condições económicas da vida da maioria dos habitantes,olha-se com apreensão para o dia de amanhã...”
E acrescentava :”Para os que têm menos sucesso individual a sua única defesa consiste em unirem-se e apertarem os laços comuns...Insisto na necessidade de fomentar um espírito de entreajuda e de cultivar a consciência de que uma comunidade de moradores só pode subsistir se transmitir aos vindouros um espírito de coesão.”
Porque falava para os cojenses,acrescentou:”Faço votos para que os habitantes desta freguesia de Coja saibam procurar os caminhos do futuro,e se saibam organizar para melhorarem as suas condições de vida...”
Quem diria melhor nestes temos de crise?

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Gastar com Critério

12 de Novembro de 2009


A atribuição de apoios, sem outro critério que não seja ceder às pressões de quem mais pede ou de influências politico-partidárias, é um mal muito presente na sociedade portuguesa.
A única forma legítima de gastar dinheiros públicos é aplicá-los com justiça onde possam ser mais necessários e com maiores benefícios para a comunidade.
Isto aplica-se a tudo: na agricultura,na educação,na cultura e também nas áreas de apoio social.
É um erro grave continuar a dar subsídios supostamente para a agricultura,mas que acabam por ser gastos em luxuosos montes alentejanos,ou jipes de turismo.Por muito que isso tenha custado a muitas das nossas aldeias,seria uma má gestão manter abertas escolas com duas ou três crianças.É desperdício de verbas comparticipar numa mesma terra a construção e manutenção de várias sedes para as diferentes colectividades,quando um bom e funcional Centro Cultural ,bem gerido,responderia melhor a esta necessidade.
Assistimos hoje a um esforço para abrir e manter Lares em terras com pouca população e muito próximas entre si.É compreensível ,tanto mais que é fruto de grande voluntarismo.Contudo,receio que o Estado ,a quem cumpre este dever ,não tenha meios para garantir a todos estes as condições de dignidade a que as pessoas utentes destas instituições têm direito ;e quando falo em condições, quero expressar muito mais do que uma boa higiene ou alimentação.
A alternativa seria concentrar os apoios em estruturas (duas ou três por concelho),dotando-as com os requisitos necessários e permanentes ,valorizando áreas até agora pouco desenvolvidas,tais como manutenção física e intelectual,devidamente apoiadas por profissionais.É neste contexto que me parece mais acertado exigir e concentrar apoios para optimizar o que já temos,em vez de insistir em pequenas e dispersas obras que,por falta de meios, não poderão garantir a dignidade desejada aos seus utentes.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Ainda o Teatro e a Cerâmica

5 de Novembro de 2009


Quem me tem acompanhado nestas crónicas semanais saberá que, entre a reabilitação do Teatro Alves Coelho e a requalificação da antiga Cerâmica Arganilense, a minha prioridade vai claramente para o Teatro:não só pela história da sua criação,pelo valor patrimonial do edificio,mas particularmente pelas potencialidades que a sua reabilitação oferece.
Não serei eu a pôr em causa a necessidade de intervenção na antiga cerâmica ;no entanto,tenho dificuldade em compreender que possa ser esta obra uma das principais bandeiras da Câmara de Arganil.
A escassez de recursos e as muitas carências do concelho aconselhariam uma boa avaliação das prioridades e um racional aproveitamento de estruturas existentes.
A verdade é que,ainda antes das recentes eleições autárquicas,foi anunciada a adjudicação dos trabalhos na antiga Cerâmica.Ao que tudo indica vai ser a grande “obra” do próximo mandato.
É neste contexto que,mais uma vez,lanço o alerta,fazendo-me eco das palavras do presidente da Assembleia da Misericórdia de Arganil,Dr.Armando Diniz Cosme, a quando da cedência deste espaço à Câmara:”O Teatro não pode continuar assim,porque é uma afronta para os arganilenses “.
Quando se inicia um novo mandato do executivo camarário de Arganil, é legítimo esperar que,nestes próximos quatro anos,a reabilitação do Teatro possa ser concretizada,já que,esta sim,é uma obra que pode contribuir para “a melhoria da qualidade de vida do concelho”.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Terceira Idade

29 de Outubro de 2009


O dia de hoje é dedicado à 3ªIdade.
Falar dela é falar da velhice,só que esta palavra parece fora de moda.Ninguém gosta de ser tratado por velho e a sociedade “inventou”esta expressão para suavizar a coisa.
Mais importante do que as palavras com que rotulamos esta fase da vida é a maneira como a encaramos.
Envelhecer é um processo contínuo que deve ser vivido com naturalidade.
É indiscutível que hoje se vive durante muitos mais anos do que no passado.A sociedade do futuro terá cada vez mais pessoas idosas.Há projecções que prevêem que em 2060 residirão em Portugal 271 idosos, por cada 100 jovens.Isto só por si não é mal, no entanto obriga a que tenhamos que nos adaptar a esta realidade.Não basta viver mais anos;o importante é fazê-lo com qualidade e dignidade até ao fim.
Apesar dos progressos,manda a verdade que se diga que ainda estamos longe de responder a essa exigência.
Quando lemos que há mais de 13.000 idosos em lista de espera para conseguir lugar em Lares apoiados pelo Estado;quando temos notícias da forma desumana como funcionam alguns lares;quando constatamos as limitações de muitos outros,impossibilitados de proporcionar qualidade de vida aos seus utentes;não falando da grande maioria de velhos que vivem em casa de familiares,ou na sua casa,sem as condições mínimas, tomamos bem consciência do muito que há por fazer.
Porque a vivência da velhice tem a ver com o ambiente que a rodeia,é fundamental que o Estado e a sociedade criem condições para que a Terceira Idade corresponda a um envelhecimento activo que proporcione vontade de viver.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Agricultura Familiar

22 de Outubro de 2009


Na sequência do que dizia na semana passada a propósito do regresso às suas terras de muitos desempregados e reformados ainda activos ,hoje falarei da Agricultura Familiar,que tão ignorada tem sido pelos sucessivos governos.
No Brasil,no âmbito do Ministério do Desenvolvimento Agrário,existe a Secretaria da Agricultura Familiar.Um dos objectivos é “valorizar e divulgar o conceito da agricultura familiar como actividade económica fundamental para o desenvolvimento sócio-económico sustentado do meio rural”.
Em Portugal pouco se fala deste assunto e ,no entanto,o nosso país tem as melhores condições para que se incentive este sector , já que temos diversidade de territórios rurais e de agricultura.Precisamos de flexibilizar e descentralizar as acções de apoio à agricultura familiar.
Se queremos manter vivo o interior, temos que promover o desenvolvimento rural.Este,para ser sustentável,tem que se apoiar na pequena agricultura familiar ou mesmo a tempo parcial.Na continuidade desta,outras actividades se desenvolverão,tais como a silvicultura,artesanato,turismo,etc.
Como dizia:é preciso aproveitar a circunstância deste retorno à terra,de modo que possa representar uma boa alternativa em tempo de crise.

domingo, 18 de outubro de 2009

Regresso às Origens

15 de Outubro de 2009


Durante muitos anos assistimos ao abandono das nossas aldeias ,particularmente pelos jovens que procuravam melhores condições de vida.À medida que os mais velhos ficavam impossibilitados para o trabalho as terras iam ficando incultas.
Assim se chegou ao panorama desolador do nosso meio rural!
Devido à crise,mas também a pretexto da mesma,muitas empresas encerraram ou ameaçam fazê-lo, provocando desemprego.E para este não se vê alternativa a curto prazo.
Estamos já com uma muito elevada percentagem de portugueses a viver do sempre escasso subsídio.Como bem sabemos, esta situação não se pode eternizar:menos produção e menos receita não dão para manter este agravamento de despesas;e quando o dinheiro é pouco,as primeiras vítimas são quem menos tem.
É neste contexto de dificuldades que se compreende o regresso às origens de muitos destes desempregados e reformados ainda activos.
Bom seria que este regresso fosse devidamente acompanhado e apoiado com medidas concretas de estimulo à Agricultura Familiar ou a tempo parcial de que falarei em próximo Ponto de Vista.
Seria incompreensível também que as Autarquias não estivessem atentas a esta nova realidade,assegurando as melhores condições a quem procura o mundo rural.