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quinta-feira, 30 de abril de 2009

ASSOCIATIVISMO

30 de Abril de 2009



A democracia, na sua essência, é o governo do povo pelo povo. Foi assim que, com Platão, na Grécia Antiga, o conceito se desenvolveu.
Com o tempo tornou-se impraticável "todos decidirem acerca de todos". Depois de várias vicissitudes, chegou-se àquilo que denominamos democracia representativa. Seria um sistema adequado, caso os representantes eleitos estivessem à altura das suas responsabilidades; infelizmente quase nunca acontece.
O povo vota nos seus representantes, acreditando nas suas promessas, mas, quando eleitos, facilmente as esquecem. Isto tem contribuído para algum descrédito, que só pode ser contrariado através de maior e melhor participação cívica.
Daí que eu pense que os cidadãos não podem limitar-se a colocar o voto na urna; têm que permanecer vigilantes e activos.
Sem pôr em causa a legitimidade dos eleitos, a intervenção dos cidadãos reforça a qualidade da democracia, direi mesmo, completa-a .
Por ser assim, qualquer governo democrático tem o dever de incentivar essa colaboração. A melhor maneira de cada um de nós o fazer é através do Associativismo. Juntos em organizações, as mais diversas, os cidadãos podem debater as questões que lhes dizem respeito e que só eles conhecem bem.
Mesmo tendo consciência de que algumas vezes haverá tendência para se concentrarem em excesso no seu umbigo, vale a pena estimular e ouvir as associações, porque, havendo bom senso, é sempre a comunidade que fica mais rica.
A nossa região tem forte tradição de movimentos locais e regionais a quem alguém já chamou democracia associativa.
O Dia do Associativismo que hoje se comemora é bom pretexto para que os órgãos de poder reflictam na sua relação com estas associações, mas também para que muitas destas repensem a sua forma de participar.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

A água e as autarquias

5 de Fevereiro de 2009



Já uma vez aqui escrevi que as Autarquias não podem "lavar as mãos" e deixar a gestão das águas à responsabilidade das Comissões ou Ligas de Melhoramentos.
É assunto demasiado complexo para ficar a cargo de quem não tem meios para garantir a segurança e qualidade indispensáveis.
Compreendo a reacção das populações que tanto fizeram e fazem para garantir água com abundância às suas aldeias, no entanto, há que ter consciência de que estamos perante uma responsabilidade que não permite facilidades, seja no controlo, qualidade ou mesmo no consumo.
Para estes casos terão as Autarquias que encontrar formas de compensação, mas que nunca poderão significar cedências demagógicas que poderão ter graves consequências para a saúde pública.
Vamos tendo notícias de algumas direcções de associações regionalistas que, mais conscientes das obrigações inerentes à gestão das águas, se recusam a assumir esse ónus; algumas chegam mesmo a demitir-se.
Porque a escassez e qualidade da água obriga a uma gestão profissional e exigente, porque se trata dum serviço que tem a ver com a saúde humana, porque as Comissões de Melhoramentos não têm os meios e recursos adequados, devem ser as Autarquias a assumir sem ambiguidades esse encargo.
Receio que as associações que ainda insistem em serem elas a responsabilizarem-se pelo abastecimento de água, mais tarde ou mais cedo, venham a ser vítimas do seu voluntarismo.
Sendo certo que o abastecimento de água esteve na origem e fortaleceu muitas destas comissões ou ligas, perante as actuais realidades, é chegada a altura do movimento regionalista ter outras preocupações.