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sexta-feira, 16 de abril de 2010

A Propósito Dum Bom Livro

15 de Abril de 2010


Interessado pelas causas do Regionalismo e escrevendo num Jornal que se orgulha de ser o Semanário da Região, não poderia deixar de me referir ao trabalho de Maria Beatriz Rocha-Trindade “A Serra e a Cidade -O Triângulo Dourado do Regionalismo”, prefaciado por João Alves das Neves. Publicado já em finais do ano passado, só agora tive oportunidade de o ler.
Quem acompanha o movimento regionalista, particularmente nos concelhos de Arganil, Góis e Pampilhosa da Serra, deve conhecer esta obra.
Não cabe aqui uma análise, ainda que resumida; isso é feito, e muito bem, por João Alves das Neves.
Refere a autora que o livro traduz “um empenhado interesse pelas Gentes da Serra”.O facto de não ter origens na região (é Algarvia), tem a vantagem de nos apresentar um trabalho académico desapaixonado e objectivo, despido da natural emotividade de quem vive por dentro o regionalismo.
Acompanhando com curiosidade e orgulho a saga dos regionalistas ao longo de tantos anos, interessou-me particularmente a “reflexão prospectiva sobre o futuro do Regionalismo”.
Se os números relativos ao despovoamento são muito preocupantes, a forma como as pessoas, ainda que fisicamente afastadas, se têm sabido organizar e manter solidárias na defesa das suas terras, deixa-nos acreditar que o movimento regionalista será sempre uma voz essencial no diálogo com as entidades oficiais, particularmente as autarquias.
Escreve Rocha-Trindade:”Beneficiando do empenhamento dos seus membros, do seu conhecimento das realidades locais e da representatividade que lhes é unanimemente reconhecida, os Regionalistas da Serra poderão contribuir poderosamente para a identificação e localização dos problemas regionais e para afirmação e reforço das prioridades a atribuir às correspondentes soluções”.
Sendo eu um convicto defensor dos movimentos cívicos, cada vez mais necessários no diálogo com os poderes políticos, vejo no regionalismo, através das suas Comissões e Associações, um meio de praticar cidadania e reforçar a democracia participativa

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O Nosso Regionalismo

14 de Janeiro de 2010


É um tema recorrente nestas crónicas:não fosse este um órgão regionalista e não vivêssemos nós numa região onde este sentimento se exprime com mais autenticidade.
Há os que o abordam com desconfiança,no entanto,quem se identifica com a vivência da nossa Beira-Serra sabe bem quanto ele foi, e ainda é, decisivo para o desenvolvimento desta região.
Só através das Comissões de Melhoramentos,Ligas ou outras Associações, foi possível enfrentar as necessidades mais prementes das populações.Quem, senão o povo,comunitarimente organizado,levou a água,telefone,electricidade,estradas às suas aldeias, numa época em que não havia poder autárquico e o central as ignorava?
O que foi a acção deste “Associativismo Popular” é história que deve ser continuamente lembrada.
Os jornais regionais têm desempenhado um importante papel ,seja através de artigos de opinião,seja na divulgação das mais diversas iniciativas locais.Nunca será de mais reconhecer e agradecer o trabalho dos muitos correspondentes que nos vão dando conta das realidades das suas terras.
Felizmente também há excelentes trabalhos publicados,alguns mesmo de cariz académico, e que merecem lugar na estante de quem se interessa pela Região. Correndo o risco de omissão,por desconhecimento,lembro os trabalhos de António Lopes Machado,António Quaresma Ventura,Maria B.Rocha Trindade,Pedro Jorge Rodrigues e de Joaquim Felício,
Indispensável para bom conhecimento do que foi o nosso Regionalismo é a excelente publicação “Casa da Comarca de Arganil XXV Aniversário”.
Haverá outros contributos seguramente;sentir-me-ei redimido da minha omissão se algum leitor os quiser divulgar.
É essencial conhecer a importância do “movimento regionalista”ao longo de todo o seu passado para que se encontrem novos caminhos,adequados às novas realidades.
Como disse José Mattoso :”só se pode alcançar um verdadeiro progresso se se adquirirem novos bens sem se perderem os do passado”