quinta-feira, 16 de julho de 2009

A Fome

16 de Julho de 2009


A presidente do Banco Alimentar Contra A Fome afirmava há dias que,num só mês, os vários bancos existentes no país receberam tantos pedidos como todo o ano passado.
Significa isto que a fome,mesmo em Portugal, é ,cada vez mais, uma tragédia.
A saída em massa da chamada província para as cidades, agravada agora com o desemprego, explica muito daquilo que se passa nos centros e subúrbios urbanos,onde este flagelo é mais agudo. No entanto, temos que recuar para entender as principais causas: medidas erradas do passado, como seja o abandono de terrenos agricultáveis (caso de Portugal), e a monocultura imposta a países em vias de desenvolvimento, provocaram escassez de bens alimentares e consequente encarecimento.
Quando 1/3 da humanidade sobrevive com menos de um euro por dia; quando em Portugal o desemprego é elevado e muito baixos os salários da grande maioria dos portugueses, não é de estranhar que falte dinheiro para adquirir alimentos.
É o momento de mudar; depois desta crise nada será como dantes.
A solidariedade é necessária e bem-vinda, mas precisamos duma nova ordem mundial que dê prioridade à produção agrícola para garantir a segurança alimentar;sem isto não haverá estabilidade social.
Portugal tem que tomar as suas próprias providências também nesta área, para garantir maior autonomia alimentar.Não se espere que alguém nos ajude se,entretanto, também se confrontar com o mesmo problema:ninguém nos mata a fome se também a tiver.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Justiça Social

09 de Julho de 2009


Foi o banqueiro Fernando Ulrick, presidente do BPI, quem afirmou:”o governo deve ter particular atenção à coesão social e aos mais desfavorecidos”. Quando lhe perguntaram:”onde vai buscar os recursos?”, não hesitou em afirmar:”pode aumentar os impostos sobre os que estão melhor, de modo a ser redistributivo e a ajudar os mais vulneráveis e os mais desfavorecidos. Admito que crie um escalão adicional de IRS para os que ganham mais e não me chocava que se criasse uma tributação das mais-valias em ganhos com instrumentos financeiros.”A citação é longa, mas vale pelo conteúdo e pelo autor.
Estamos habituados a este discurso vindo geralmente de pessoas identificadas como sendo de esquerda.
Na realidade a injustiça social é um problema da sociedade e como tal, a todos deve preocupar. Resulta do egoísmo e infelizmente este pecado tanto cega ricos como pobres.
Porque as desigualdades sociais, além de atentado à dignidade humana, são factor de agravamento da violência e instabilidade, os mais privilegiados, mas particularmente os governos, têm que ser sensíveis a esta realidade, actuando e legislando para que haja mais equidade.
Daí que eu entenda como natural as afirmações deste banqueiro: foi positivo ter dito o que disse.
É um recado aos mais ricos e um repto ao governo.
Há dinheiro: está mal distribuído e, muitas vezes, é mal aplicado.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

O Semanário da Região

02 de Julho de 2009


Não tenho por hábito prestar atenção aos Relatórios de Gestão e Contas.No entanto,comprometido afectivamente com O Jornal de Arganil ,li com interesse a Apreciação Global de Gestão relativa ao exercício de 2008 da Empresa sua proprietária.
Infelizmente e como era de esperar,também ela sofre as consequências da crise financeira e económica.Merece realce e apreço o esforço da Gerência para sobreviver às dificuldades.
Sendo a publicação de O Jornal de Arganil parte relevante da sua actividade e porque a manutenção dum semanário vivo e interventivo é importante para a nossa região, é natural que todos os que se interessam pelo desenvolvimento regional não fiquem indiferentes perante os problemas que o possam afectar.
Empobrecidos pela recente suspensão de A Comarca de Arganil,mais se justificam os empenhos para que este nosso Jornal possa manter-se como paladino das boas causas locais e regionais.
Sem qualquer outra informação para além da leitura do Relatório,fico com a convicção de que a Gerência está empenhada nesse objectivo.
Porque um jornal com estas características desempenha um serviço à sociedade,é razoável pedir e esperar que a comunidade,seja por mais assinaturas,seja através de publicidade ou outros meios,corresponda e acompanhe este esforço.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Imprensa Regional

25 de Junh0 de 2009


Assinante,leitor e antigo colaborador de A Comarca de Arganil sinto mágoa pela situação em que se encontra.
Só razões muito fortes e seriamente ponderadas poderão ter forçado a suspender uma publicação que ,sem interrupções,vinha desde 1901.
O movimento associativo ficou mais pobre.Seja qual for o futuro,o honroso passado de A Comarca de Arganil nunca será ignorado:a história da nossa região ao longo destes 108 anos está nas suas páginas.Daí que se imponha o reconhecimento de todos os que vivem e se interessam pelo desenvolvimento regional.
Dito isto,que é de elementar justiça,vem a propósito reflectir acerca da importância da imprensa regional,particularmente numa região como a nossa,sistematicamente ignorada.
Vivemos tempos em que é mais fácil saber o que acontece em partes longínquas do mundo do que o que se passa à nossa volta:temos notícia do que vai fazendo o Obama na América,por exemplo,mas ignoramos frequentemente o que se faz ou não faz na nossa Câmara ou Junta de Freguesia.
A imprensa regional deve servir para informar acerca do que interessa ao nosso quotidiano.
Porque a nossa região se caracterizava por forte migração,os jornais regionais começaram por ser a “carta de família”que levava as noticias .Para além disso, hoje pede-se bem mais:informação isenta,mas interventiva na defesa das causas cívicas,particularmente associativas e regionais.
Os órgãos de poder,governo e autarquias,têm obrigação de incentivar a existência destes instrumentos de cidadania,mas tem que ser a sociedade a garantir a sua independência e intervenção.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

As Autarquias e a Crise

18 de Junho de 2009



A propósito da crise, afirmava há tempos o Presidente da Associação Nacional de Municípios:”não acredito em respostas centrais para problemas locais”.Julgo entendê-lo, porque, na mesma ocasião, também disse que o Governo devia consultar as autarquias para enfrentar e ajudar a delimitar a crise.
Se esta, pelas causas e dimensão, exige respostas globais, logo, não ao alcance de um só país e muito menos duma qualquer autarquia, não poderá isso ser pretexto para baixar os braços ou ficar inerte.
É tempo de acção: cada um de nós, à sua medida, tem o dever de fazer alguma coisa, particularmente as autarquias. Porque conhecedoras das realidades locais, têm que ser as primeiras a dar respostas concretas.
Existem alguns bons exemplos. Um deles é o vizinho concelho de Mortágua. Atento às preocupações das pessoas e empresas, no Orçamento de 2009 definiu 18 medidas de apoio às famílias e incentivo às empresas. Destas, merecem-me particular destaque: isenção de taxa de construção para jovens casais; isenção de 50% das taxas devidas nos processos de reconstrução e reabilitação de edifícios degradados; redução de 50% do IMI; empresas que se instalem no concelho e criem, no mínimo, cinco postos de trabalho ficam isentas de taxa de edificação; nos estabelecimentos públicos de ensino o prolongamento de horário será gratuito…Enfim, são alguns apoios e incentivos que revelam preocupações sociais e são um excelente sinal e exemplo.
Nestes tempos de agruras, é disto que precisamos e esperamos de quem detém poder.
A prioridade tem que ser poupar no que é supérfluo (e então agora, com eleições à vista!) para concentrar apoios naquilo que possa manter e incentivar trabalho para todos.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

O Desemprego

11 de Junho de 2009

É a mais grave consequência da crise.Quando falta trabalho, não há dinheiro,desaparece a auto-estima e fica aberto caminho à violência social.
Preocupa o que se passa por todo o mundo:na China regressam aos campos milhões de desempregados,nos Estados Unidos da América são mais de oito milhões,em Espanha ultrapassam os quatro milhões (duplicou nos últimos 18 meses),na Alemanha e França os números também são muito preocupantes.
Naturalmente,Portugal não podia escapar a esta desgraça.Os últimos dados oficiais indicam números próximos dos 500.000 desempregados;inquietantes, atendendo à nossa dimensão.
O pior é que,como tudo indica,a situação tende a agravar-se.
Se é inegável que a crise gera desemprego,também há razões para desconfiar de que alguns patrões se estão a aproveitar desta conjuntura para fazerem despedimentos sem qualquer justificação.Este procedimento é criminoso e deverá ser devidamente penalizado.
Sendo o desemprego uma calamidade social, os governos têm que lhe dar a melhor atenção. Até agora vamos sabendo de medidas relativas a subsidios;acontece que o problema não se resolve assim(até porque eles não duram sempre) .É necessário investir em decisões que criem emprego.
Para evitar piores consequências , a sociedade tem que resolver o problema do desemprego.Desde logo, procurando as causas.
Parecendo evidente que foi o sistema vigente que nos conduziu à actual situação,talvez seja ocasião para procurar novos e melhores caminhos que nos levem a encarar o trabalho como bem essencial para a dignidade humana.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Crianças Agredidas

4 de Junho de 2009

É na infância que se estrutura a personalidade do adulto;daí a importância de tudo quanto acontece nesta fase da vida.
Porque hoje é o Dia das Crianças Vítimas de Agressão parece-me ser um bom pretexto para reflectir um pouco acerca desta repugnante realidade.
Desde sempre a criança foi vítima de vários tipos de agressão.Se até ao séc.XVIII era pouco valorizada e até mesmo desrespeitada, a verdade é que, ainda hoje,todos os dias nos chegam notícias de acções violentas contra as crianças.
De acordo com dados da Unicef a cada hora morre no mundo uma criança vítima de agressão; o mais chocante é que,segundo a mesma fonte,80% destes actos são provocados por familiares.
Não encontro palavras para expressar a minha repugnância por esta realidade,mas,porque ela acontece,há que reflectir e encontrar respostas.
Há vários tipos de violência a que as crianças estão expostas:física,sexual,psicológica,social e económica,entre outras.
Sem desculpabilizar os agressores,temos que assumir que a resposta eficaz para este problema terá que envolver cada um de nós,as famílias e toda a sociedade através dos seus vários serviços e instituições.
A criança tem direitos que devem ser respeitados e defendidos.Esta missão não é exclusiva dos pais,envolve toda a comunidade.
Está demonstrado que é nas famílias mais destruturadas que estes crimes acontecem com mais frequência.Pobreza,desemprego,alcoolismo,falta de valores educacionais e culturais são factores de risco.Há que actuar nestas áreas e envolver toda a comunidade nesta luta,quanto mais não seja através da denúncia.Com o nosso silêncio acabamos por ser cúmplices desta inqualificável cobardia que é a agressão às crianças.